SAÚDE | 04.MAIO.2022

Pesquisa Vigitel revela como está a saúde dos brasileiros

Há mais pessoas no Brasil com depressão do que com diabetes. Essa foi a principal conclusão do Ministério da Saúde, com base na Pesquisa Vigitel 2021, um dos relatórios mais amplos sobre saúde no país. Ao todo, 27.093 pessoas com 18 anos ou mais, de todas as capitais brasileiras e do Distrito Federal, foram entrevistadas entre os meses de setembro de 2021 e fevereiro de 2022.

Enquanto 9,1% das pessoas no país têm diabetes, cerca de 11,3% dos brasileiros relatam um diagnóstico médico de depressão, sendo maior entre as mulheres (14,7%) do que entre os homens (7,3%). Como se trata de uma doença “silenciosa” e cercada de tabus, os casos ainda tendem a ser subnotificados, segundo os pesquisadores.

A Vigitel também indicou um aumento no consumo exagerado de álcool e uma redução da prática de atividade física – duas variáveis ligadas ao transtorno depressivo.

Vale lembrar, aqui, do estudo realizado pela B2P entre março de 2020 e março de 2021, no qual os transtornos mentais e comportamentais foram apontados como a segunda maior causa de ausência no trabalho. Neste período, o índice de afastamentos por saúde mental subiu mais de 23% em comparação a 2019.

Os dados reforçam a importância da alfabetização em saúde mental, a fim de extinguir o estigma que essas doenças ainda carregam para que, assim, pessoas afetadas sintam-se confortáveis em buscar tratamento adequado e possam se recuperar. Neste sentido, empresas têm o importante papel de promover programas que eduquem seus funcionários para mudar percepções errôneas sobre saúde mental e incentivar equipes de apoio.

Leia também: Três estratégias para melhorar a saúde mental no trabalho

 

Outros destaques da Pesquisa Vigitel 2021

A pesquisa também forneceu estimativas sobre fatores de risco para doenças crônicas, tais como: tabagismo, excesso de peso e obesidade, padrões de alimentação, padrões de atividade física, e autoavaliação do estado de saúde. Confira!

 

Tabagismo

O tabagismo e a exposição passiva ao tabaco são importantes fatores de risco para o desenvolvimento de uma série de doenças crônicas, como câncer, doenças pulmonares e doenças cardiovasculares.

Considerando todas as capitais, a porcentagem de adultos fumantes foi de 9,1%, sendo maior no sexo masculino (11,8%) do que no feminino (6,7%). No total da população, a frequência de fumantes tendeu a ser menor entre os adultos jovens (antes dos 34 anos de idade) e entre aqueles com 65 anos e mais.

Em relação aos fumantes passivos, entre os homens, as maiores frequências foram observadas no Rio de Janeiro (11,2%), Distrito Federal (10,2%) e em Aracaju (9,7%). E, entre as mulheres, em Belo Horizonte (10,8%), Rio Branco (10,0%) e Boa Vista (9,9%).

 

Excesso de peso e obesidade

Em pesquisas populacionais, o diagnóstico do estado nutricional é feito a partir do índice de massa corporal (IMC), obtido pela divisão do peso pela altura ao quadrado. O excesso de peso é diagnosticado quando o IMC alcança valor igual ou superior a 25 kg/m², enquanto a obesidade é diagnosticada com valor de IMC igual ou superior a 30 kg/m².

Nas capitais, a frequência de excesso de peso foi de 57,2%, sendo maior entre os homens (59,9%) do que entre as mulheres (55%). No total da população, a frequência dessa condição aumentou com a idade até os 54 anos e reduziu com o aumento da escolaridade, segundo a pesquisa.

As maiores frequências de obesidade foram observadas, entre os homens, em Aracaju (27,9%), Goiânia (26,7%) e Porto Velho (26,6%). E, entre as mulheres, em Manaus (26,6%), Recife (26,5%) e Porto Velho (26,2%). As menores frequências ocorreram, entre homens, em Recife (17,7%), São Luís e Salvador (18,6%), e entre as mulheres, em Palmas (16,1%), Vitória (16,8%) e Teresina (17,2%).

 

Consumo alimentar

Na análise, foi considerado regular o consumo de frutas e hortaliças quando ambos os alimentos eram consumidos em cinco ou mais dias da semana.

As maiores frequências de adultos que consomem regularmente frutas e hortaliças, entre homens, foram encontradas em Curitiba (37,1%), Belo Horizonte (36,7%) e Porto Alegre (35,9%) e as menores em São Luís (14,0%), Rio Branco (19,2%) e Salvador (20,2%).

Entre mulheres, as maiores frequências foram encontradas em Florianópolis (52,1%), Belo Horizonte (51,4%) e no Distrito Federal (50,3%) e as menores em Rio Branco (25,7%), Porto Velho (28,2%) e Salvador (30,6%).

No conjunto de capitais, a frequência do consumo de refrigerantes em cinco ou mais dias da semana foi de 14%, sendo mais elevada entre homens (17,2%) do que entre mulheres (11,3%).

As maiores frequências de adultos que referiram o consumo de cinco ou mais grupos de alimentos ultraprocessados foram encontradas, entre homens, em Curitiba (32,3%), Porto Alegre (30,0%) e Manaus (29,7%), e as menores ocorreram em Salvador (13,3%), Aracaju (15,1%), João Pessoa e Vitória (15,3%). Entre mulheres, as maiores frequências foram encontradas em Macapá (26,9%), Cuiabá (20,4%) e Porto Alegre (19,7%), e as menores em Salvador (7,3%), Vitória (8,6%) e Florianópolis (10,5%).

 

Atividade física

Na pesquisa, foram avaliadas atividades físicas praticadas em quatro contextos: no tempo livre ou lazer, na atividade ocupacional, no deslocamento e no âmbito das atividades domésticas.

A frequência de adultos que fazem atividade física no tempo livre equivalente a pelo menos 150 minutos de prática moderada por semana variou entre 32,3% em São Paulo e 44% em Vitória.

Entre homens, as maiores frequências foram encontradas em Belém (50%), Recife (49,2%), São Luís e Aracaju (49%); e as menores em Campo Grande (35,9%), São Paulo (36,6%) e Cuiabá (39,6%). Entre mulheres, as maiores frequências foram observadas em Vitória (44,5%), Palmas (41,7%) e Natal (39,7%); e as menores no Rio de Janeiro (24,2%), em São Paulo (28,7%) e Porto Alegre (30,1%).

A pesquisa considera como prática insuficiente de atividade física o equivalente a menos de 150 minutos semanais da soma de tempo gasto em todos os tipos de atividades físicas moderadas ou menos de 75 minutos de intensidade vigorosa.

Entre homens, as maiores frequências foram encontradas em Campo Grande (46,1%), Cuiabá (44,8%) e João Pessoa (43,5%), e as menores em Goiânia (30,3%), Boa Vista (33,7%) e Natal (33,9%). Entre mulheres, as maiores frequências foram observadas no Rio de Janeiro (63,1%), em Porto Alegre (59,6%) e Manaus (59,2%), e as menores em Florianópolis (43,4%), Goiânia (48,2%) e Vitória (48,8%).

 

Estado de saúde

A frequência de adultos que avaliaram negativamente seu estado de saúde (como ruim ou muito ruim) variou entre 3,0% em Florianópolis e 7,2% em Rio Branco. No conjunto das 27 cidades, 4,7% dos indivíduos avaliaram negativamente o seu estado de saúde, sendo essa proporção maior em mulheres (5,5%) do que em homens (3,7%).

Os dados da Pesquisa Vigitel são utilizados por gestores e analistas de dados na formulação de políticas públicas em saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, a partir deste ano, as informações geradas também serão disponibilizadas na Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde (IVIS), permitindo a consulta aos indicadores para cada fator de risco monitorado por ano.

Fonte: CNN Brasil

 

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