TÁ NA ÉPOCA | 04.NOVEMBRO.2021

Boas práticas para a pós-colheita de Frutas e Hortaliças

A produção de frutas e hortaliças é uma das atividades mais relevantes do agronegócio brasileiro, mas o setor enfrenta diversas barreiras. Por serem alimentos altamente perecíveis, estima-se que, entre a colheita e a chegada à mesa do consumidor, ocorram perdas de até 40% dos produtos produzidos no Brasil.

Com o uso de tecnologia e técnicas de pós-colheita, hoje, muitas dessas perdas podem ser evitadas. Sabe-se, por exemplo, que o manuseio é um fator crítico na conservação desses alimentos. Muitas vezes, há danos também pelo acondicionamento, armazenamento e transporte inapropriados.

Assim, uma alternativa é a capacitação dos agricultores para reduzir as perdas e manter a qualidade do produto colhido, com a implementação de ações que passam pelas diferentes etapas da cadeia produtiva e comercialização, até o consumo.

 

O conceito de qualidade de frutas e hortaliças

A qualidade da fruta ou hortaliça envolve atributos sensoriais como: aparência visual (frescor, cor, defeitos e deterioração), textura (firmeza, resistência e integridade do tecido), sabor e aroma. Nos últimos anos, o valor nutricional e a segurança do alimento têm ganhado também cada vez mais importância, por estarem relacionados à saúde do consumidor.

Portanto, as boas práticas agrícolas são indispensáveis para obter um produto de qualidade, principalmente no quesito da segurança alimentar. De acordo com informações da Embrapa, as principais fontes de contaminação de frutas e hortaliças são o uso inadequado de esterco não curtido na adubação, a água de irrigação contaminada e as mãos de manipuladores não adequadamente higienizadas.

Outro problema comum é o uso indiscriminado de agrotóxicos. Sem obedecer ao período de carência, a concentração de resíduos químicos nos alimentos costuma ser superior aos limites recomendados pela legislação e, consequentemente, oferece riscos ao consumidor.

Logo, a adoção de sistemas que buscam equilibrar os ecossistemas e o uso racional dos recursos naturais podem contribuir para a qualidade pós-colheita dos produtos:

“Medidas de controle preventivo como o cultivo protegido, a higiene no campo, com a remoção e destruição de material vegetal como folhas, ramos e frutos doentes e infectados, bem como espaçamento adequado e boa condução das árvores, adubação balanceada em nutrientes, reduzem o ataque de pragas e doenças e aplicações de agrotóxicos, aumentando a qualidade e o período de conservação pós-colheita”, recomenda o agrônomo e pesquisador da Embrapa, Sergio Agostinho Cenci.

Como reduzir perdas na produção de frutas e hortaliças?

A colheita requer alguns cuidados para evitar danos e perdas na pós-colheita. Alguns produtos são facilmente danificados, como morango, cerejas, amoras, etc. Nestes casos, a atenção deve ser redobrada.

  • A colheita deve ser realizada nos horários mais frescos do dia, quando a temperatura está mais amena;
  • Os produtos hortícolas devem ser colhidos e manuseados adequadamente, a fim de evitar danos mecânicos;
  • Evite o empilhamento excessivo de frutas e hortaliças em embalagens ou bins muito profundos;
  • Higiene todos os recipientes e utensílios utilizados na colheita e no armazenamento dos hortifrutícolas;
  • Os trabalhadores devem lavar bem as mãos com água e sabão antes da colheita e, se possível, ter disponível banheiros próximos aos locais de colheita;
  • O ponto de colheita deve ser adequado. Algumas cultivares devem ser colhidas em estado de maturação menos avançado para mercados mais distantes, e outras com maturação mais avançada, para mercados mais próximos;
  • Remova o calor de campo dos produtos hortifrutícolas, realizando rapidamente um pré-resfriamento.

Da mesma forma, o transporte e a comercialização devem assegurar a conservação adequada ao produto. As perdas, quando ocorrem na etapa de comercialização, podem causar maiores consequências ambientais, uma vez que os custos do processamento, transporte, armazenamento e o preparo do alimento devem ser adicionados às despesas iniciais de produção.

Referências: Embrapa, Sergio Agostinho Cenci

 

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